O OPO'Lab A exploração de tecnologias digitais, e depois de influenciar decisivamente outras áreas, como as indústrias automóvel, náutica e aeroespacial, tem vindo a revolucionar visivelmente a arquitectura nos últimos dez anos. Uma leitura atenta das obras mais relevantes da contemporaneidade permite perceber que as suas formas e estruturas inovadoras não teriam sido possíveis sem o recurso a processos de projecto (CAD) e de manufacturação (CAM) assistidos por computador. A influência tecnológica nos processos criativos e construtivos estende-se igualmentea outras disciplinas afins, como o design industrial, tornando-se possível conceber e materializar produtos com geometrias e soluções materiais singulares. Enquanto arquitectos, e percebendo que o desenvolvimento de conhecimentos e experiência prática no campo das tecnologias digitais é uma condição decisiva para a inovação, os promotores deste projecto têm desenvolvido um percurso complementar e reconhecido nas áreas a que o OPO’Lab se dedica, construíndo e consolidando ao longo de vários anos. Por um lado, João Barata Feyo foi pioneiro em Portugal ao incorporar na empresa que criou - Feyodesign – um conjunto de tecnologias de fabrico digital para a produção de maquetes e protótipos. Desde 2000, processos como a estereolitografia e a fresagem CNC têm sido utilizados na produção de modelos e peças inovadoras para diferentes mercados (ex: arquitectura, design de produto, joalharia, indústria automóvel e náutica) e clientes. A produção da maquete 3D da cidade do Porto, a elaboração de modelos de barcos para a Douro Azul ou a produção de maquetas para importantes arquitectos como Rem Koolhaas, Óscar Neyemer, Siza Vieira ou Souto Moura, são alguns dos trabalhos singulares realizados. Simultaneamente, José Pedro Sousa tem explorado o uso destas tecnologias digitais tanto na prática profissional como no ensino e na investigação. Com o seu estúdio de arquitectura ReD, Research+Design, desenvolveu projectos com geometrias e soluções materiais inovadoras em vários países, que auferiram distinções relevantes como o prémio internacional de arquitectura digital - FEIDAD 2005 (Taiwan). Paralelamente, tem investigado o uso destas tecnologias a nível académico em escolas de referência como o MIT, a U.Penn (como estudante) e o IAAC (como docente), sendo regularmente convidado para realizar workshops e conferências na área. Foi na sequência de experiências bem sucedidas de colaboração realizadas nos últimos dois anos (ex: workshops e trabalhos práticos) que decidiram fazer convergir os seus conhecimentos e as suas expectativas sobre a arquitectura num projecto comum, de natureza multidisciplinar. A consciência da oportunidade actual de criação, em Portugal, de um projecto conciliador de disciplinas criativas com novas tecnologias, e a intenção de localização e interacção «com» e «a partir» da cidade do Porto, constituíram dois aspectos fundamentais de motivação. Portanto, o projecto OPO’Lab surgiu com a intenção de criar um centro independente dedicado ao pensamento e exploração de tecnologias digitais avançadas nas áreas da Arquitectura, da Construção e do Design, para responder com criatividade, eficiência e inovação aos desafios e preocupações da contemporaneidade. Mais recentemente, os jovens arquitectos Luís Fernandes e Luís de Sousa associaram-se à equipa, aportando a sua experiência e entusiasmo na organização de iniciativas culturais. A organização da 1ª edição do Get Set Art Festival, em 2010, trouxe à cidade do Porto um conjunto de artistas internacionais que participaram em diversas actividades nas áreas da arquitectura, design gráfico, multimédia e intervenção urbana. Edifício industrial, com uma localização privilegiada, bem no centro da cidade do Porto (Fig.01), e equipado com as mais modernas tecnologias de projecto e fabrico assistidas por computador (CAD/CAM), o projecto OPO’Lab pretende reunir um conjunto de especialistas e consultores internacionais em torno da oferta de um conjunto de serviços modernos orientados aos sectores académico, profissional/empresarial e industrial, como os que são proporcionados pela instalação de um dos primeiros Fab’Labs do país, em plena cidade do Porto. Apresentando-se como um modelo claro de Indústria Criativa, a sua designação expressa três preocupações fundamentais:
Baseando-se em entidades semelhantes testadas internacionalmente, o projecto OPO’LAB é a primeira entidade do género em Portugal, pelo que ambiciona afirmar-se como referência de inovação nacional e parceiro por excelência das universidades, das empresas e de todos aqueles interessados em conceber e materializar trabalhos inovadores dentro das suas áreas criativas. Pretendendo ultrapassar barreiras profissionais e etárias, este projecto dedica particular atenção à promoção de actividades dirigidas ao cidadão comum e a públicos mais jovens, com o intuito de ser um agente na democratização do acesso às novas tecnologias. Os vários serviços e actividades do OPO’Lab estruturam-se em torno de 6 unidades complementares:
Embora se encontre a planear o arranque para breve de todas as suas valências, a equipa do OPO’Lab não deixou de realizar durante 2010 uma série de actividades cuja adesão e participação parecem confirmar não só o interesse e viabilidade deste projecto, mas também a sua urgência. A colaboração com a ADDICT e a Fundação da Juventude através da produção de instalações artísticas para o evento Bairros Criativos, pelo FAB’Lab, permitiu a materialização das ideias originais concebidas por diversos criadores (Fig.02). A produção de mobiliário em cartão para o arquitecto Pedro Campos Costa é outro exemplo da necessidade e importância deste tipo de laboratório. A outro nível, resultando da investigação interna sobre computação geométrica, o OPO’Lab desenvolveu uma instalação paramétrica para o Congresso Internacional de Arquitectura do Porto, que decorreu no edifício da Alfândega (Fig.03). Paralelamente, a ligação à comunidade académica e ao público jovem resultou na realização de várias acções educativas, destaca-se a colaboração com a ESAP na organização do 3º Workshop Internacional de Processos Digitais de Projecto (Fig.04), e o Workshop «Balões Digitais» que atraiu um público diversificado na exploração da tradição de lançamento de Balões de S. João na cidade do Porto (Fig.05). O OPO’Lab serviu ainda de palco para a apresentação de uma exposição de trabalhos do prestigiado arquitecto suíço Valerio Olgiati (Fig.06), e para a realização da 5ª edição das noites Pecha Kucha Porto, que atraiu ao espaço mais de 550 pessoas (Fig.07). Finalmente, será interessante recordar o apoio à organização da 1ª edição do GetSetArt Festival . Durante uma semana, o OPO’Lab foi o palco para a realização de diversos workshops simultâneos na área da arquitectura, design gráfico, vídeo e multimédia, e de sessões de conferências diárias que atraíram um público jovem de diferentes áreas artísticas (Fig.08). Depois destas iniciativas promissoras, e contando com a ajuda dos seus parceiros, o OPO’Lab pretende propor brevemente o seu plano de actividades para um novo ano de 2011, que se espera cheio de criatividade efervescente e contagiante (Fig.09). |
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