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Arquitetura do Medo
André Gardenberg
Passa-se o Ponto
A cidade interrompida olha para si mesma e não sabe de que lado está. Tropeça nos seus dias, nas suas noites, nos seus transeuntes. Tropeça na sua memória, nos raios de memória que a sua própria história lhes permite construir. A cidade interrompida macera os seus dias com pedaços de Cristo sobre a mesa e dentro dos aparelhos de TV que nos derretem os neurónios. Misericórdia! Macera as suas horas e as horas dos seus filhos com o estampido do gatilho e, olhe, se jogue no chão, nenhuma bala é perdida! Então são esses mesmos filhos que estão ali, do outro lado da grade, ou sou eu, fotografo, que estou aqui do lado de cá de uma mesma arquitetura? A quem pertence esses olhos arregalados? É você ou sou eu quem escuta o soluço da própria voz? Quem está enjaulado? Sou eu do lado de cá de uma cidade solitária ou são vocês do lado de lá de todas as cidades juntas? Quem me vê: a câmara ou o fotografo? Qual de nós será libertado primeiro? Quem de nós levará o primeiro tiro? Então tranquemos as portas. As nossas e as dos vizinhos.
Diógenes Moura
Curador
 











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