# O Sagrado: Experiências de Laboratório Atitudes em Relação à Religião em Portugal no Início do Século XIX # A Louca, o Médico, os Discípulos e o Diabo Anna Halprin e o seu Contributo para a
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EDITORIAL All gods are better than their reputation. De que falamos realmente quando pensamos o Sagrado ? Da existência de Deus, das formas e práticas das instituições religiosas, do papel da fé e das crenças na acção humana, da conceptualização e reequação dos conceitos de material e imaterial, da existência de espaços físicos que emanam ou representam sensações não explicáveis racionalmente? Estas são apenas algumas das questões transversais à história, e com maior peso nos períodos mais recentes, que surgem quando se reflecte sobre o Sagrado. Mas, serão estas as perguntas certas para as respostas que procuramos? Podemos nós, seres imperfeitos, compreender um conceito que tem na sua génese a relação perfeito-imperfeito ? Existe perfeição? Existe Deus ou Deuses? Queremos mesmo encontrar estas respostas? Depois de um primeiro número dedicado à Identidade, e à forma como este conceito é uma das bases e alicerces da produção artística, do progresso científico, da percepção e noção de pertença de grupo, seja ela política, cultural, social, arquitectónica ou outra, este segundo número procura reflectir sobre o Sagrado. Refira-se, aliás, que tal como em Identidade estamos na presença de um conceito com inúmeras e até divergentes e opostas leituras e acepções, como os artigos de Idalina Correia, Gonçalo Prudêncio, entre outros, atestam. Falar do Sagrado é também fazer uma alusão ao Profano, mesmo que este não seja o seu reverso, mas sim um conceito paralelo, tal como Bélä Pinter nos apresenta na peça “A Louca, o Médico, os Discípulos e o Diabo”. Como o autor e encenador assume há uma provocação ao que são Contudo, e como é desejo do PROJECTO10, o mundo não se pode cingir a uma só temática, mesmo que ela seja deveras importante, assim também a política, o passado, a actualidade e o futuro, a dança e a arquitectura e até o quotidiano são matéria de reflexão. Nesse sentido, a historiadora Ana Mouta Faria leva-nos a uma viagem aos tempos do Liberalismo português com Atitudes em relação à igreja em Portugal no inicio do século XIX , conseguindo uma subtil transição entre o que é Sagrado e o que é Política e Poder. Na secção de Política e Mundo, Joana Ribeiro avança com uma análise da sociedade portuguesa da actualidade, focando sobretudo os delicados momentos que o país atravessa e esboçando um angustiante, deprimente, e preocupado quadro para o futuro das jovens gerações. Num registo bem diferente, mas original e claramente menos negativista, apresenta-se a proposta de Impromptu Architects de uma ponte pedonal assimétrica que dê cor e movimento à congestionada 2ª Circular, em Lisboa. É claramente um projecto arrojado que merece o destaque e uma análise mais atenta dos leitores. Na secção de Artes e Entretenimento, Sara Anjo apresenta-nos Anna Halprin, a bailarina e coreógrafa que é uma das referências mundiais da dança pós-moderna e é, no entanto, uma quase desconhecida do grande público português. Com uma obra em volta da reflexão do quotidiano e das acções voluntárias/involuntárias que moldam a nossa vivência, Anna Halprin é, e citando a autora, “uma revolucionária dos paradigmas que circundaram as idiossincrasias modernas e pós-modernas.” Não deixa, por isso, de ser interessante curioso notar que a obra de Carlos Godinho aborda e expõe gestos tão vulgares e quotidianos como zoom in e zoom out numa câmara tornando-os passíveis de serem pensados como reflexo de uma atitude vivencial. Teremos sacralizado e cristalizado o conceito de Sagrado ? Espera-se que não, pois não pretendemos de forma alguma a erosão ou corrupção da principal característica humana, o questionamento constante e a procura de novas interpretações. Teremos prendido a atenção apenas em política, história, dança, arquitectura, vídeo? Também se espera que não, pois é nosso objectivo que cada artigo seja apenas um ponto de passagem no trajecto que cada leitor completa na sua leitura e análise. Para terminar e em jeito de nova provocação deixo um excerto sobre religião da principal obra do escritor e poeta libanês Kahlil Gibran, O Profeta: E um velho sacerdote disse: Fala-nos da Religião. E ele respondeu: Terei falado de outra coisa até agora? Não será a religião senão todos os actos e toda a reflexão, e tudo aquilo que não é acto nem reflexão, mas encantamento e surpresa sempre emergentes da alma, mesmo quando as mãos talham a pedra ou trabalham no tear? Quem poderá separar a sua fé das suas acções, ou as suas crenças das suas ocupações? |
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